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Sines torna-se polo europeu de inteligência artificial: Start Campus recebe milhares de chips NVIDIA para a Microsoft

tech2026-08-20 · 4 min read · 20 reads

O centro de dados da Start Campus em Sines está a transformar Portugal num ponto estratégico da inteligência artificial na Europa. Com um investimento da Microsoft superior a 10 mil milhões de dólares, o campus vai receber milhares de chips de última geração da NVIDIA.

Portugal está a afirmar-se como um ponto estratégico no mapa europeu da inteligência artificial, e o epicentro desta transformação encontra-se em Sines. O centro de dados desenvolvido pela Start Campus tornou-se palco de alguns dos maiores investimentos tecnológicos alguma vez realizados no país, atraindo gigantes mundiais e infraestruturas de computação de escala verdadeiramente colossal para o litoral alentejano.

Os chips de nova geração da NVIDIA

O grande destaque deste projeto reside na tecnologia de ponta que ali será instalada. As instalações da Start Campus, mais concretamente o centro de dados SIN01, vão receber 12.600 processadores gráficos NVIDIA Blackwell Ultra, na sua versão GB300. Estes chips de última geração começam a operar já no primeiro trimestre de 2026, naquela que é descrita como a primeira e maior instalação destes componentes em todo o espaço da União Europeia.

As ambições, no entanto, vão muito para além desta primeira fase. Em maio de 2026 foi anunciado um reforço ainda mais impressionante, com a chegada prevista de mais de 66 mil chips NVIDIA do modelo Vera Rubin. A instalação desta nova vaga de processadores está planeada para arrancar a partir do final de 2027, consolidando o estatuto de Sines como um dos maiores polos de computação para inteligência artificial do continente europeu.

O investimento gigante da Microsoft

O centro de dados de Sines afirma-se como uma das maiores infraestruturas de inteligência artificial da União Europeia. (Imagem ilustrativa)
O centro de dados de Sines afirma-se como uma das maiores infraestruturas de inteligência artificial da União Europeia. (Imagem ilustrativa)

Por detrás desta operação encontra-se um dos maiores nomes da tecnologia mundial, a Microsoft. A gigante norte-americana comprometeu-se com um investimento superior a 10 mil milhões de dólares em Portugal, um valor que ilustra bem a confiança depositada no país. Este compromisso foi anunciado pelo presidente da Microsoft, Brad Smith, em novembro de 2025, marcando um momento histórico para o setor tecnológico nacional.

O projeto conta ainda com a colaboração determinante da Nscale, uma plataforma de inteligência artificial sediada na Europa. A empresa realizou um investimento de 230 milhões de euros em infraestrutura, ao qual se soma um montante de 465 milhões de euros destinado à construção de um novo edifício. Toda esta capacidade servirá para apoiar a implementação de recursos de inteligência artificial da Microsoft por toda a União Europeia.

Capacidade e sustentabilidade

Em termos de dimensão, os números do campus de Sines são impressionantes. O projeto tem uma capacidade total licenciada de 1,2 gigawatts, um valor que o coloca entre os maiores da Europa. Enquanto o edifício inicial, o SIN01, se aproxima da sua capacidade máxima de operação, prepara-se já o lançamento do segundo edifício, o SIN02, que deverá acrescentar uns robustos 180 megawatts à capacidade total do complexo.

A infraestrutura foi concebida para suportar as exigências extremas da inteligência artificial moderna. O centro de dados foi projetado para densidades que ultrapassam os 130 quilowatts por módulo, utilizando sistemas de arrefecimento de alta eficiência. Um dos pilares fundamentais do projeto é a sustentabilidade, uma vez que toda a operação é alimentada a 100 por cento por energia proveniente de fontes renováveis.

Este compromisso ambiental está profundamente enraizado na estratégia da empresa e do próprio país. A Start Campus tem como meta atingir a neutralidade carbónica já em 2028, um objetivo ambicioso mas alcançável. Portugal apresenta aqui uma vantagem competitiva notável, dado que mais de 80 por cento do seu consumo energético já provém de fontes renováveis, tornando-o um destino ideal para operações verdes.

Os protagonistas do projeto

Um empreendimento desta magnitude reúne naturalmente um vasto conjunto de intervenientes de peso. À frente da Start Campus está o seu presidente executivo, Robert Dunn, enquanto a Nscale é liderada pelo seu fundador e presidente executivo, Josh Payne. Entre os acionistas destaca-se ainda Daniel Boehm, sócio da Davidson Kempner, que reforça a solidez financeira por detrás de todo este ambicioso projeto tecnológico.

O apoio governamental tem sido igualmente decisivo para o sucesso da iniciativa. O projeto tem contado com o empenho de responsáveis políticos de primeira linha, nomeadamente do Ministro da Economia, Castro Almeida, e do Ministro das Infraestruturas, Miguel Pinto Luz. Esta articulação entre o setor privado e o Estado demonstra a importância estratégica que o país atribui a estas infraestruturas digitais de nova geração.

Impacto estratégico para o país

Para além dos números impressionantes, a localização de Sines oferece vantagens geográficas únicas que a tornam especialmente atrativa. Portugal beneficia de uma vasta rede de cabos submarinos que o ligam a todos os continentes, garantindo uma conectividade global de excelência. Segundo um estudo da Copenhagen Economics, os investimentos em centros de dados poderão contribuir com 26 mil milhões de euros para o produto interno bruto nacional até 2030.

Em suma, o centro de dados de Sines representa muito mais do que uma simples infraestrutura tecnológica. Trata-se de uma aposta clara na afirmação de Portugal como líder europeu no domínio da inteligência artificial, combinando tecnologia de ponta, sustentabilidade ambiental e uma posição geográfica privilegiada. O futuro digital da Europa está, cada vez mais, a ser construído em solo português.

Ana Pereira
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Ana Pereira
2026-08-20 · 4 min read · 20 reads
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