avalw news
Ana PereiraAna PereiraVIEW PROFILE →

O ecossistema tecnológico de Portugal em 2026: startups, inteligência artificial e o Web Summit em Lisboa

tech2026-08-20 · 4 min read · 25 reads

Em 2026, Portugal consolida-se como um polo tecnológico europeu de referência. Com um investimento de risco que atingiu cerca de 780 milhões de euros em 2025, unicórnios como a Feedzai e a realização do Web Summit em Lisboa, o país afirma-se em áreas como a inteligência artificial, a fintech e a cib

Portugal tem vindo a afirmar-se, ao longo dos últimos anos, como um dos ecossistemas tecnológicos mais dinâmicos da Europa. Em 2026, esta tendência tornou-se ainda mais evidente, com um setor que amadureceu ao ponto de atrair fundadores internacionais, investidores e talento qualificado de várias partes do mundo. O país deixou de ser visto apenas como um destino turístico para passar a ser encarado como um verdadeiro polo de inovação e empreendedorismo digital.

Um ecossistema em crescimento

Os números ilustram bem esta evolução. De acordo com os dados disponíveis, as startups portuguesas captaram cerca de 780 milhões de euros em capital de risco em 2025, um valor que contrasta de forma significativa com os cerca de 320 milhões de euros registados em 2020. Este crescimento demonstra a crescente confiança dos investidores no potencial das empresas nacionais e na solidez do ambiente empresarial que se tem vindo a construir no país.

Lisboa continua a ser o principal centro desta atividade. A capital acolhe estruturas de apoio como a Startup Lisboa, instalada no Mercado da Ribeira, a aceleradora Beta-i e a sociedade de capital de risco Faber, além do campus do Web Summit no Altice Arena. Estas infraestruturas criam um ambiente propício ao nascimento e ao desenvolvimento de novos projetos, funcionando como pontos de encontro entre empreendedores, mentores e financiadores.

O Porto surge como o segundo grande polo tecnológico do país, com um ecossistema próprio e cada vez mais robusto. A cidade conta com o UPTEC, o parque de ciência e tecnologia da Universidade do Porto, com a sociedade Exponential Ventures e com a plataforma de recrutamento tecnológico Landing.jobs. Esta descentralização é importante, pois permite distribuir as oportunidades por diferentes regiões e aproveitar o talento formado nas universidades locais.

Setores e empresas de referência

A inovação portuguesa distribui-se por vários setores de elevado valor acrescentado. A tecnologia financeira, conhecida como fintech, ocupa um lugar de destaque, com empresas como a Feedzai, a Stratio e a SWORD Health a ganharem projeção internacional. A par destas, áreas como a inteligência artificial, o processamento de linguagem natural, a tecnologia climática, o turismo e a saúde digital têm registado um crescimento assinalável nos últimos anos.

Entre as empresas de maior dimensão, a Feedzai destaca-se como um dos unicórnios nacionais, ou seja, uma empresa avaliada em mais de mil milhões de dólares, com uma atuação centrada na prevenção da fraude financeira. A SWORD Health, sediada no Porto, dedica-se à fisioterapia digital, enquanto outras empresas como a Unbabel, a Aptoide, a Greenvolt e a Infraspeak reforçam a diversidade e a maturidade do panorama tecnológico português.

A nova geração de empresas em fase inicial também merece atenção, pois traduz a vitalidade contínua do ecossistema. Projetos como a Manie, focada na mudança de contratos de energia, a NextBorder, dedicada ao apoio em questões de imigração, ou a Bloq.it, especializada em soluções de cacifos inteligentes, mostram como novas ideias surgem em cidades para além de Lisboa e do Porto, chegando também a regiões como Coimbra e Oeiras.

O Web Summit e a projeção internacional

As startups portuguesas afirmam-se cada vez mais no cenário tecnológico europeu. (imagem ilustrativa)
As startups portuguesas afirmam-se cada vez mais no cenário tecnológico europeu. (imagem ilustrativa)

Poucos eventos simbolizam tão bem a projeção internacional de Portugal como o Web Summit. Considerada uma das maiores conferências tecnológicas do mundo, a edição de 2026 decorre em Lisboa entre 9 e 12 de novembro. Espera-se a presença de mais de 70 mil participantes, cerca de 2.600 startups e aproximadamente mil investidores acreditados, o que faz da capital portuguesa, durante alguns dias, um verdadeiro centro mundial da inovação e do investimento.

A presença portuguesa não se limita, contudo, ao evento realizado em Lisboa. As empresas nacionais têm marcado presença nas edições internacionais do Web Summit, procurando expandir a sua atividade para outros mercados. No Web Summit realizado no Rio de Janeiro, participaram 27 startups portuguesas, que empregavam perto de 270 pessoas e tinham já captado mais de 20 milhões de euros em investimento, evidenciando a sua ambição global.

Também na edição de Vancouver, no Canadá, oito startups portuguesas estiveram representadas, com o objetivo de crescer internacionalmente e de estabelecer ligações com investidores e parceiros na América do Norte. Esta estratégia de internacionalização é fundamental para empresas oriundas de um mercado interno de dimensão reduzida, que precisam de olhar para o exterior de forma a alcançar a escala necessária ao seu crescimento sustentado.

Talento, vistos e novos investimentos

Para sustentar este crescimento, Portugal tem apostado em mecanismos que atraem talento estrangeiro. Entre eles encontram-se o Visto para Nómadas Digitais, conhecido como D8, que exige um rendimento mínimo de 3.480 euros por mês, o Visto para Empreendedores, designado por D2, e ainda o Tech Visto, dirigido a profissionais qualificados de fora da União Europeia contratados por empresas tecnológicas portuguesas.

A qualidade de vida e os custos comparativamente mais baixos tornam o país atrativo, embora os salários continuem abaixo dos praticados noutros mercados europeus. Um engenheiro de software sénior aufere, em média, entre 35 mil e 55 mil euros brutos por ano nas empresas portuguesas. Ao mesmo tempo, grandes empresas continuam a investir no país, como demonstra a decisão da Vodafone de abrir um Centro Global de Cibersegurança na sua sede em Lisboa.

Este centro deverá arrancar com cerca de quarenta especialistas em cibersegurança contratados até ao final de 2026, reforçando a aposta do país nesta área estratégica. No conjunto, todos estes elementos, desde o investimento crescente até à realização de grandes eventos e à chegada de novos talentos, desenham um retrato de um ecossistema tecnológico em plena afirmação, que promete continuar a crescer e a ganhar relevância no cenário europeu nos próximos anos.

Ana Pereira
WRITTEN BY THE AUTHOR
Ana Pereira
2026-08-20 · 4 min read · 25 reads
View profile →
VERIFY THIS STORY
ASK AI
MORE FROM Ana Pereira
Report this articlesupport@avalw.com