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Portugal aposta na inteligência artificial e no ecossistema de startups para se afirmar na Europa

tech2026-08-20 · 4 min read · 61 reads

Portugal apresenta uma ambiciosa estratégia de inteligência artificial e candidata-se a acolher gigafábricas europeias de IA, enquanto o ecossistema nacional de startups continua a crescer de forma sólida.

Portugal está determinado a afirmar-se como um dos protagonistas europeus no domínio da inteligência artificial e da inovação tecnológica. Através de uma estratégia nacional ambiciosa e de um ecossistema de startups em franca expansão, o país procura atrair investimento e posicionar-se na vanguarda da transformação digital que atravessa todo o continente europeu.

A estratégia nacional para a inteligência artificial

Portugal apresentou no Web Summit a sua estratégia nacional para a inteligência artificial. (Fotografia ilustrativa)
Portugal apresentou no Web Summit a sua estratégia nacional para a inteligência artificial. (Fotografia ilustrativa)

A visão do país para o setor foi apresentada num dos maiores palcos tecnológicos do mundo, o Web Summit, que decorreu em Lisboa no dia 10 de novembro de 2025. Nessa ocasião, o ministro Gonçalo Matias, em representação do primeiro-ministro, deu a conhecer as principais linhas orientadoras da aposta portuguesa na área da tecnologia.

A estratégia assenta em três pilares fundamentais que sustentam toda a ambição nacional. O primeiro diz respeito às infraestruturas digitais, o segundo foca-se na capacitação dos cidadãos, e o terceiro centra-se numa utilização responsável da tecnologia. Estes três eixos pretendem garantir um desenvolvimento equilibrado e sustentável de todo o setor.

Investimentos e impacto económico

As metas financeiras associadas a esta estratégia são verdadeiramente notáveis. Portugal candidatou-se a acolher as chamadas gigafábricas europeias de inteligência artificial, um investimento que ascende aos dezasseis mil milhões de euros. Trata-se de uma aposta de enorme dimensão para o panorama tecnológico nacional e para o futuro do país.

O impacto económico projetado desta transformação é igualmente impressionante. Segundo as estimativas apresentadas, espera-se que a inteligência artificial venha a gerar um impacto que poderá atingir os dois vírgula três biliões de euros até ao ano de 2030. A par disso, a Estratégia Nacional para os Centros de Dados deverá atrair dezenas de milhões de euros em investimento.

Iniciativas de destaque

Para concretizar esta visão, o Governo delineou um conjunto de iniciativas bastante concretas. Entre elas destaca-se a Agenda Nacional para a Inteligência Artificial, que visa posicionar o país como um centro de referência em inovação responsável. Existe também o Pacto para as Competências Digitais, que pretende formar mais de dois milhões de cidadãos até 2030.

Uma das apostas mais interessantes é o desenvolvimento de um modelo de inteligência artificial em língua portuguesa, batizado com o nome de Amália. Esta ferramenta foi concebida para oferecer acesso a serviços públicos, apoio educativo através de tutoria, bem como diversas aplicações no mundo dos negócios, aproximando assim a tecnologia dos cidadãos.

O próprio ministro fez questão de sublinhar o espírito desta transformação nas suas declarações. Segundo afirmou, Portugal está a construir um Estado mais inteligente, mais rápido e mais responsável, capaz de antecipar as necessidades e de produzir resultados concretos, tanto para os cidadãos como para as empresas de todo o país.

Um ecossistema de startups em crescimento

Paralelamente à estratégia governamental, o ecossistema de startups português tem demonstrado um dinamismo verdadeiramente assinalável. Os dados revelam que as startups nacionais captaram cerca de setecentos e oitenta milhões de euros em financiamento de capital de risco durante o ano de 2025, um aumento significativo face aos trezentos e vinte milhões registados em 2020.

Lisboa continua a ser o principal polo tecnológico do país, servindo de casa a incubadoras como a Startup Lisboa e acolhendo anualmente o famoso Web Summit. Por sua vez, a cidade do Porto afirma-se como um importante centro secundário, contando com o UPTEC, que é reconhecido como o maior parque de ciência e tecnologia de todo o território nacional.

Unicórnios e setores em foco

O sucesso do ecossistema português é comprovado pelo surgimento de várias empresas de grande valor, conhecidas como unicórnios. Entre os nomes mais reconhecidos encontram-se a Feedzai, especializada na prevenção de fraude, a Unbabel, focada no processamento de linguagem, a OutSystems e ainda a SWORD Health, que atua na área da saúde digital.

No que diz respeito aos setores mais ativos, o mercado nacional concentra-se em áreas de grande potencial e crescimento. Destacam-se a tecnologia financeira e a prevenção de fraude, a inteligência artificial e a tecnologia profunda, a tecnologia climática e as energias renováveis, assim como a tecnologia aplicada à área da saúde e do turismo.

Atrair talento internacional

Para reforçar este crescimento, Portugal tem apostado em atrair talento internacional através de diversos mecanismos legais. O país disponibiliza vistos específicos, como o Visto para Nómadas Digitais, o Visto para Empreendedores e ainda o chamado Visto Tech, que oferece uma via mais rápida para profissionais qualificados provenientes de fora da União Europeia.

Em síntese, Portugal encontra-se num momento particularmente promissor no que toca à tecnologia e à inovação. A combinação de uma estratégia nacional ambiciosa para a inteligência artificial com um ecossistema de startups cada vez mais robusto coloca o país numa posição favorável para se afirmar como um verdadeiro polo de referência no cenário tecnológico europeu.

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Ana Pereira
2026-08-20 · 4 min read · 61 reads
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