Ana PereiraVIEW PROFILE →
Lojas sem caixas nem filas: como a portuguesa Sensei quer reinventar as compras com inteligência artificial
A startup lisboeta Sensei usa visão computacional e sensores para criar lojas totalmente autónomas, onde se entra, se pega no que se precisa e se sai, sem caixas nem filas. A empresa já abriu em Portugal a que apresenta como a maior loja autónoma do mundo.
Imagine entrar num supermercado, pegar no que precisa e sair, sem filas, sem caixas e sem escanear um único produto. É esta a promessa da Sensei, uma startup portuguesa sediada em Lisboa que aposta na inteligência artificial para reinventar a forma como fazemos compras, e que já colocou Portugal no mapa mundial do retalho autónomo.
Como funciona uma loja autónoma

O sistema da Sensei assenta em visão computacional e em sensores inteligentes espalhados pela loja. Câmaras e algoritmos acompanham em tempo real o que cada cliente retira das prateleiras, associando cada produto a um carrinho digital. Quando a pessoa sai, o pagamento é feito automaticamente, sem que seja preciso passar por qualquer caixa ou ficar numa fila de espera.
Mais do que comodidade para o cliente
As vantagens não se resumem à conveniência para o consumidor. Para os retalhistas, a tecnologia promete reduzir os custos associados às caixas, evitar a rutura de stocks e oferecer uma visão detalhada e em tempo real do que acontece dentro da loja. Ou seja, transforma cada compra também numa fonte valiosa de dados operacionais para gerir melhor o negócio.
Da ideia à maior loja autónoma do mundo
A ambição da Sensei tem crescido rapidamente. A empresa levantou uma ronda de financiamento de cerca de 15 milhões de euros para escalar a operação, com investidores que incluem nomes como o grupo de retalho Metro. Recentemente, chegou mesmo a inaugurar em Portugal aquela que apresenta como a maior loja totalmente autónoma do mundo, um marco para o setor.
Rumo à Europa
Os planos passam por ir muito além das fronteiras nacionais. A Sensei quer expandir-se por vários países europeus e traçou como meta atingir cerca de mil pontos de venda autónomos. Se o conseguir, deixará de ser uma curiosidade tecnológica para se tornar uma presença concreta no dia a dia de milhões de consumidores.
Como toda a automação, o modelo levanta também perguntas legítimas, desde o futuro dos empregos nas caixas até às questões de privacidade ligadas às câmaras que observam cada movimento. Ainda assim, o caso da Sensei mostra como uma empresa nascida em Lisboa pode competir de igual para igual com gigantes internacionais, exportando não apenas um produto, mas uma nova forma de imaginar o comércio.






