Ana PereiraVIEW PROFILE →
A nova corrida ao mar: como Portugal usa inteligência artificial e robôs para dominar a economia azul
Portugal tem uma das maiores áreas marítimas da Europa, e o mar está a regressar ao centro da economia , agora impulsionado por inteligência artificial e robótica. Em 2026, o país afirma-se como referência na chamada economia azul.
Portugal possui uma das maiores áreas marítimas da Europa, e o mar está a regressar ao centro da sua economia — desta vez impulsionado pela inteligência artificial e pela robótica. Aquilo a que se chama «economia azul» tornou-se uma aposta estratégica, e em 2026 o país afirma-se como uma referência internacional na forma como junta tecnologia de ponta e oceano.
Portugal, país de honra do mar
O reconhecimento é concreto. Portugal foi escolhido como País de Honra da Sea Tech Week de 2026, um destaque que sublinha a sua liderança na economia azul. A distinção abrange áreas como as energias renováveis marinhas, as tecnologias do oceano, a aquicultura, a biotecnologia e, de forma transversal, a inovação marítima sustentável. É o mar visto não como simples paisagem, mas como verdadeira plataforma de futuro.
Robôs que exploram as profundezas

No coração desta revolução está a investigação nacional. O INESC TEC, com sede no Porto, atingiu maturidade em veículos autónomos, robótica para missões marítimas e sistemas de perceção e sensorização. Um dos seus projetos mais ambiciosos é o PETRA, um veículo submarino autónomo de longo alcance concebido para logística em águas profundas, cuja primeira missão está prevista para maio de 2027.
IA ao serviço do oceano
A inteligência artificial é o fio condutor de tudo isto. É usada para monitorizar a saúde dos peixes e otimizar as operações de aquicultura, mas também para recolher e interpretar enormes volumes de dados sobre o estado do oceano. O centro de excelência INESCTEC.OCEAN reúne precisamente estas frentes — estruturas marinhas, robótica, energia e digitalização do oceano — enquanto os Açores servem de laboratório natural para testar novas tecnologias.
Um oceano de oportunidades — e de desafios
As promessas são grandes, mas não isentas de obstáculos. A economia azul pode gerar emprego qualificado e crescimento sustentável, desde que se consiga dar o salto da investigação para a indústria e atrair financiamento suficiente. Ao mesmo tempo, é preciso proteger ecossistemas frágeis: a tecnologia deve estar ao serviço da preservação, e não apenas da exploração dos recursos do mar.
Para um país cuja história se escreveu sobre as ondas, a inteligência artificial e os robôs oferecem um novo capítulo. Transformam o vasto oceano português de herança do passado em fronteira tecnológica do presente — uma espécie de era dos descobrimentos reinventada, feita agora de algoritmos, sensores e veículos que mergulham onde o ser humano ainda não chega.






