avalw news
Ana PereiraAna PereiraVIEW PROFILE →

Portugal, a espinha dorsal digital do sul da Europa: data centers e cabos submarinos em 2026

tech2026-08-30 · 2 min read · 0 reads

Em 2026, Portugal afirma-se como infraestrutura digital do sul da Europa: Sines lidera com o Start Campus, os cabos submarinos de Lisboa multiplicam-se e a Digital Realty entra no mercado. Uma leitura serena.

Como alguém que segue o setor tecnológico há anos, aprendi a olhar para além das startups mais badaladas e a procurar as infraestruturas que sustentam tudo o resto. Em 2026, Portugal oferece precisamente esse tipo de história silenciosa mas profunda. O país está a transformar-se, aos poucos, numa peça central da espinha dorsal digital do sul da Europa, e isso interessa-me muito mais do que qualquer moda passageira.

Sines, o novo polo digital

O melhor exemplo está em Sines. A zona industrial já atraiu mais de vinte e cinco mil milhões de euros em investimento, e o projeto Start Campus tornou-se o mais importante operador de data centers do país. Fala-se numa capacidade total projetada de 1,2 gigawatts e num investimento privado de cerca de 8,5 mil milhões de euros. A instalação SIN01 foi ainda distinguida como o melhor data center da Europa nos Datacloud Awards de 2026.

Cabos que ligam continentes

A outra metade da história está debaixo de água. Na região de Lisboa chegam onze cabos submarinos, com ligação a noventa e uma estações terrestres e a sessenta e dois países. A este mapa junta-se o cabo Nuvem, anunciado pela Google, que vai ligar diretamente os Estados Unidos, as Bermudas e Portugal, com entrada em serviço prevista para 2026. É esta malha invisível que faz do país uma verdadeira porta de entrada da internet.

O interesse internacional

Este posicionamento não passou despercebido lá fora. Em março de 2026, a Digital Realty, um dos grandes nomes mundiais dos data centers, entrou no mercado português através da aquisição de uma instalação em Lisboa. Movimentos como este mostram que Portugal deixou de ser apenas um destino turístico ou de nómadas digitais e passou a ser levado a sério como localização estratégica para infraestrutura crítica de rede.

Startups a ganhar escala

O tecido empresarial acompanha esta dinâmica. Só na área metropolitana do Porto existem mais de setecentas startups e scale-ups e oito empresas unicórnio com centros tecnológicos na cidade. No relatório da Startup Genome de 2026, o ecossistema portuense surge entre o quinquagésimo primeiro e o sexagésimo lugar dos ecossistemas emergentes, com destaque para o software, a saúde digital e a área financeira.

A minha leitura serena

Apesar de todo o entusiasmo, mantenho os pés assentes na terra. Grandes data centers levantam questões reais sobre consumo de energia e de água, e nem todo o investimento anunciado se concretiza no ritmo prometido. Ainda assim, considero a direção saudável: Portugal está a construir uma base tecnológica concreta, não apenas promessas. O verdadeiro teste será garantir que este crescimento seja sustentável e beneficie também quem cá vive.

Ana Pereira
Stay updated
Ana Pereira
Subscribe to get an email whenever Ana Pereira publishes a new story. No spam, unsubscribe anytime.
Ana Pereira
WRITTEN BY THE AUTHOR
Ana Pereira
2026-08-30 · 2 min read · 0 reads
View profile →
VERIFY THIS STORY
ASK AI
MORE FROM Ana Pereira
Report this articlesupport@avalw.com