Ana PereiraVIEW PROFILE →
Tekever, o Gigante dos Drones: A Startup Portuguesa que Ruma a uma Avaliação de 5,5 Mil Milhões
A portuguesa Tekever está em negociações para levantar até 500 milhões de euros a uma avaliação de 5,5 mil milhões. Conto a história desta fabricante de drones, o seu papel na Ucrânia e por que é muito mais do que defesa.
Sou curiosa por natureza e escrevo sobre a tecnologia que muda a forma como vivemos, e poucas histórias me deixam tão orgulhosa como ver uma empresa portuguesa a transformar-se, quase em silêncio, num verdadeiro gigante tecnológico à escala mundial.
Falo da Tekever, uma empresa nacional especializada no desenvolvimento de drones de vigilância, que se prepara agora para dar um salto financeiro absolutamente extraordinário e que confirma o seu lugar entre as tecnológicas mais valiosas de toda a Europa.
De Unicórnio a Gigante Europeu
A notícia mais recente é impressionante, porque a Tekever, liderada por Ricardo Mendes, está em negociações para levantar até quinhentos milhões de euros junto de investidores, numa ronda que a avaliaria em cerca de cinco mil e quinhentos milhões de euros.
Para se perceber a verdadeira dimensão deste feito, basta olhar para os números, uma vez que esta avaliação representa um crescimento de cerca de cinco vezes em relação ao ano anterior, um ritmo verdadeiramente raro no panorama tecnológico europeu.
Convém lembrar que a Tekever já se tinha tornado um dos chamados unicórnios em 2025, quando ultrapassou pela primeira vez a marca simbólica de mil milhões de euros de valor, e desde então o seu crescimento praticamente não mais parou de acelerar.
Drones que Mudaram uma Guerra

Uma boa parte desta valorização deve-se ao papel que os seus equipamentos passaram a desempenhar em cenários reais e exigentes, sobretudo através dos drones de vigilância do modelo AR3, utilizados pelas tropas ucranianas desde o início da guerra em 2022.
Estes aparelhos, conhecidos pela sua enorme autonomia e resistência, já acumularam mais de dez mil horas de voo em situações de combate, apoiando operações tanto em terra como no mar e demonstrando toda a fiabilidade da tecnologia desenvolvida em Portugal.
O reconhecimento internacional é evidente, pois a empresa tem colaborado de perto com o Ministério da Defesa do Reino Unido, uma parceria que coloca uma tecnológica portuguesa no centro das operações de segurança de alguns dos países mais exigentes do mundo.
Muito Mais do que Defesa
Seria no entanto um erro reduzir a Tekever apenas à área militar, porque o verdadeiro coração do seu negócio é aquilo a que chama inteligência enquanto serviço, ou seja, a capacidade de vigiar grandes áreas em tempo real e de reagir rapidamente a ameaças.
Esta natureza de dupla utilização é o que torna a empresa tão interessante, já que os mesmos drones que apoiam missões militares podem também detetar derrames de petróleo, identificar incêndios florestais e ajudar em operações de busca e salvamento de pessoas.
Para um país como Portugal, com uma costa enorme e florestas tão vulneráveis ao fogo, esta tecnologia não é uma abstração distante, mas sim uma ferramenta com aplicações muito concretas que podem, no limite, salvar vidas e proteger o ambiente.
A minha opinião é que a história da Tekever merece ser contada com orgulho, não apenas pelos números impressionantes, mas porque prova que a partir de Portugal é possível construir tecnologia de ponta capaz de competir e de fazer a diferença em todo o mundo.






