Ana PereiraVIEW PROFILE →
Portugal firma-se no mapa tecnológico da Europa: 12 polos nacionais entram no ranking do Financial Times
Doze construtores do ecossistema português entraram no ranking do Financial Times dos melhores polos de startups da Europa em 2026. Explico, com curiosidade e de forma simples, o que isto revela sobre a nossa tecnologia e porque não se trata apenas de Lisboa.
Sou curiosa por natureza e escrevo sobre a tecnologia que muda a forma como vivemos e trabalhamos, por isso há notícias que me deixam particularmente entusiasmada. Esta é uma delas, porque fala de nós, portugueses, e do reconhecimento internacional que o nosso ecossistema tecnológico está finalmente a conquistar aos olhos do mundo inteiro.
A grande novidade é que doze construtores do ecossistema português entraram no ranking do Financial Times dos principais polos de startups da Europa em 2026. Falamos de nomes como a Unicorn Factory Lisboa, a LISPOLIS, a The Fintech House, a Startup Braga, a UPTEC e a Startup Leiria, entre outros, o que mostra a força e a diversidade do que se constrói cá dentro.
O que dizem os números
Para percebermos a dimensão deste feito, vale a pena olhar para os números que sustentam este crescimento tão notável. Portugal conta hoje com cerca de 20.900 startups e já deu ao mundo dois unicórnios, empresas avaliadas em mais de mil milhões de dólares, tendo o conjunto do ecossistema angariado impressionantes 20,2 mil milhões de dólares ao longo dos anos.
Estes valores não caem do céu, são o resultado de anos de trabalho, de talento e de uma aposta consciente na inovação como motor do futuro. Cada número esconde histórias de fundadores que arriscaram, de equipas que trabalharam noite dentro e de uma comunidade que aprendeu a acreditar que, sim, também é possível construir tecnologia de nível mundial a partir de Portugal.
O que mais me fascina é que este reconhecimento internacional funciona como um íman poderoso para o futuro do país. Quando o mundo olha para Portugal e vê um ecossistema credível, é mais fácil atrair investimento, reter os nossos talentos e convencer jovens brilhantes a criar aqui as suas empresas em vez de partirem para o estrangeiro à procura de oportunidades.
Já não é só Lisboa

Há um detalhe nesta história que me deixa especialmente feliz, e que é a prova de uma maturidade crescente do nosso ecossistema. Durante muito tempo, falar de tecnologia em Portugal era falar quase só de Lisboa, mas isso mudou, e a capital, embora continue a liderar, já não está sozinha nesta corrida rumo à inovação.
Cidades como o Porto, Braga, Coimbra, Oeiras, Leiria e a ilha da Madeira afirmam-se hoje como alternativas sólidas e cheias de vida própria. Esta descentralização é uma excelente notícia, porque significa que as oportunidades e a prosperidade se espalham pelo território, dando a mais pessoas a hipótese de participar nesta transformação sem terem de sair da sua terra.
As áreas mais fortes refletem bem as prioridades do nosso tempo e alinham-se com a estratégia Portugal 2030 e com as prioridades europeias. A inteligência artificial, a biotecnologia, a tecnologia climática, o deeptech e as ferramentas industriais continuam a ser apostas de futuro, precisamente por resolverem problemas concretos e por terem impacto real na vida das pessoas.
O meu olhar sobre o futuro
Confesso que, como apaixonada por tecnologia, sinto um orgulho genuíno ao ver Portugal a firmar-se assim no mapa europeu da inovação. Este ranking não é um ponto de chegada, mas antes um sinal de que estamos no caminho certo e de que vale a pena continuar a investir nas pessoas e nas ideias que fazem mover o nosso ecossistema.
Vou continuar atenta a cada novo passo, a cada ronda de financiamento e a cada startup que nasce fora dos grandes centros, para vos contar tudo de forma simples. Porque acredito que perceber esta tecnologia é também perceber o futuro do nosso país, e esse é um futuro que estamos, felizmente, a construir com as nossas próprias mãos e cabeças.






